Vivência

Tema Central do Congresso: DESAFIOS DA FORMAÇÃO MÉDICA NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: TERRITÓRIO, DIVERSIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Slogan: “A Educação Médica com Identidade Amazônica”

PROJETO DA VIVÊNCIA

DADOS GERAIS DA VIVÊNCIA:

Título: Vivência no Quilombo do Curiaú: entrelaçamentos entre cultura, território e saúde na Amazônia

Data: 20/06/2026

Horário: 9:00 às 12:00h

Local: Quilombo do Curiaú, zona urbana de Macapá-AP

Inscrições: Gratuita

Benefícios: Translado ida e volta

Números de vagas: 30

Hora de saída: 8:00h

Local do embarque: UNIFAP (em frente ao prédio da Reitoria)

Chegada, recepção e espaço da vivência: Escola Quilombola José Bonifácio

Objetivos:

Proporcionar aos participantes do XII CRENEM uma experiência concreta de imersão cultural, histórica, socioambiental e saberes sobre a saúde em uma comunidade quilombola tradicional do norte do Brasil, em Macapá. A atividade busca:

    1. Estimular o diálogo entre saberes acadêmicos e saberes tradicionais comunitários, no âmbito da saúde;

    2. Valorizar práticas culturais, econômicas e práticas tradicionais de cuidados à saúde e cura mantidas pela comunidade;

    3. Promover conhecimentos sobre as condições de saúde, tipos de adoecimentos e cuidados da população local.


Descrição da vivência:

A Vivência no território quilombola da Vila do Curiaú, também denominado Criaú, será um percurso vivencial guiado pela própria comunidade quilombola, com os seguintes elementos principais:

    1. Roda de apresentação e acolhimento comunitário – recepção pelos moradores e lideranças locais com apresentação de batuque, compartilhamento de suas histórias, desafios e perspectivas de futuro.

    2. Visita ao território e espaços simbólicos – caminhada pelo território, contemplando áreas de cultivo, pontos de convivência comunitária, espaços de memória e cultura.

    3. Diálogo sobre tradições culturais e socioambientais (espaço cultural) – conversas sobre práticas locais, incluindo agricultura familiar, usos de recursos naturais e manifestações culturais de matriz africana presentes no quilombo.

    4. Troca de saberes e debate temático (UBS Quilombola) – momento de interação entre gestão, equipe de saúde, espiritualidade, congressistas e comunidade para refletir sobre saúde, preservação territorial, educação e identidade cultural.

Contextualização (aspectos históricos, espaço geográfico, população, fotos, etc.)

O Curiaú (ou Criaú) é uma comunidade negra rural localizada no município de Macapá, capital do estado do Amapá. Situada a aproximadamente 14 km do centro da capital, inserido na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Curiaú, uma unidade de conservação de uso sustentável com florestas, campos alagados e recursos naturais. A vila está inserida no espaço urbano de Macapá, embora mantenha seu estilo de vida tradicional e rural em uma extensão territorial de 23.000 hectares.

A Vila do Curiaú é oficialmente reconhecida e tombada pela Fundação Palmares como terra remanescente de quilombo. Ela é considerada um importante ponto de referência histórica, cultural e econômica para o estado do Amapá.

A região é composta por cinco núcleos populacionais distintos: Curiaú de Dentro, Curiaú de Fora, Casa Grande, Curralinho e Mocambo. A vila possui infraestrutura própria, incluindo escolas, postos de saúde, igrejas e associações desportivas.

A comunidade sobrevive da agricultura, pesca e pecuária de subsistência. O local é descrito como um espaço privilegiado pela natureza, com solo fértil e um lago majestoso que, além de sua beleza, é essencial para a criação de gado e para o fornecimento de peixes para a alimentação dos moradores.

Originalmente, o lugar chamava-se “Criaú”, termo que significava “criar gado” (união de “Cria” com “Ú” ou “MU”, em alusão ao mugido do animal). Essa denominação reforçava a aptidão daquelas terras para o pasto bovino.

O Curiaú possui uma identidade cultural vibrante, manifestada principalmente através do Batuque, uma dança de raízes africanas tocada com tambores e pandeiros. A religiosidade é centrada no santo padroeiro, São Joaquim, cujas festividades misturam rituais sagrados (como a ladainha em latim) e manifestações profanas por nove dias.

Além de ser um sítio histórico, a área foi instituída como Área de Proteção Ambiental (APA do Curiaú) pelo governo estadual, com o objetivo de proteger tanto os ecossistemas naturais quanto o patrimônio cultural da população descendente de quilombolas.

O Curiaú é um território de resistência que preserva hábitos, costumes e laços de parentesco fortes, mantendo viva a história de seus ancestrais negros em meio às transformações da sociedade moderna.

Sobre a fundação da comunidade do Curiaú são conhecidas duas versões, a primeira, mais aceita pelos moradores mais antigos conta que a formação da vila se deve a um senhor chamado Miranda, proprietário de terras na região que não possuía herdeiros, e, ao morrer, deixou por testamento todas as suas terras e bens para seus sete escravos que eram irmãos, que passaram a ser proprietários da área. A partir daí, Francisco Inácio, um dos escravizados, teria providenciado a documentação das terras e a comunidade expandiu-se com a chegada de outros negros vindos de Mazagão, formando os troncos familiares que compõem a vila até hoje. A segunda versão, que é tida como oficial e defendida por historiadores e órgãos estatais (como a Fundação Palmares), embora muitos idosos da comunidade rejeitem ou ignorem essa versão para evitar estigmas de “fugitivos”, classifica o Curiaú como um remanescente de quilombo. Nessa versão conta-se que negros escravizados que participavam da construção da Fortaleza de São José, ao fugirem da capital teriam se refugiado e formado o quilombo do Curiaú.

ATIVIDADES NO LOCAL DA VIVÊNCIA

    1. Exposição de produtos regionais, artesanais, moda afro, etc.

    2. Passeio guiado pelo território e espaços simbólicos do Quilombo;

    3. Roda de batuque;

    4. Roda de conversa com lideranças locais, habitantes e profissionais da UBS sobre saúde e práticas tradicionais de cuidados e cura;

PROGRAMAÇÃO:

    1. Local do embarque prédio da Reitoria/UNIFAP

    2. Chegada e recepção na Escola Quilombola José Bonifácio – Encontro com o seu Sebastião (histórias e cultura sobre o Curiaú e fala de profissionais da UBS

    3. Visita na UBS

    4. Visita ao Museu

    5. Visita ao Complexo do Curiaú – Balneário e Roda de Batuque

Comissão organizadora:

Coordenação da vivência: Profa. Dra. Selma Gomes da Silva (Docente do Curso Medicina de UNIFAP):

Colaboradores: Livia Rebeca de Oliveira Barrozo (Discente do Curso de Medicina da UNIFAP) e Caio Henrique Silva da Silva (Discente do Curso de Medicina da UEPA/ Coordenador Discente Regional Norte ABEM)

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Nezilda Jacira Lourinho de. Curiau: estórias e histórias sobre a história de uma vila. 2002. 186p. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Campinas, SP. Disponível em: 20.500.12733/1591574. Acesso em: 28 jan. 2026.